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.......................................Espaço de Educação Musical para pais, alunos, amigos e colegas de profissão da professora Luciana.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Aula 20 - Maternal e Infantil I - Feira

Sobre o tema da aula

Um dos objetivos mais importantes a trabalhar na musicalidade da criança na Educação Infantil, é a percepção de paisagens sonoras. Fazê-la entender que há um mundo de sons com significado ao seu redor, e levá-la a atentar neles seguindo critérios musicais: timbre, altura, duração, textura, etc.
Muitas crianças vivem dentro de universos limitados demais, basicamente inseridas no lar e na escola, e é dever do professor proporcionar a experiência com outras paisagens sonoras, que possam enriquecer seu repertório de sons e refirnar a percepção desses, de modo que possam vir a ser usados com uma atitude criativa numa fase posterior.
Saber ouvir é o primeiro grande passo para ser um bom músico, e mais que isso: um bom ser humano.
Nesta aula escolhemos a paisagem sonora da feira porque ela é muito rica e porque algumas crianças nunca foram em uma, mesmo tendo ideia do que ela seja. Trabalhar o universo da feira com as crianças é ajudá-las a completar as peças de um quebra-cabeças do mundo em que vive. Aprofundar-se em temas da cultura popular é sempre um exercício de humanidade e sensibilidade. E é essa sensibilidade que queremos fazer aflorar, quando elas estiverem com as ferramentas musicais nas mãos.

Como foi?

Iniciamos fazendo uma sondagem com as crianças, procurando saber que conhecimento previo elas tinham do tema FEIRA. As crianças do Infantil I já conseguiram expressar muitos fatos interessantes, e algumas disseram já ter ido à feira com o pai, a mãe ou o avô. Perguntamos o que elas viram e ouviram lá. E em seguida falamos de uma feira especial que fica em nosso estado, Pernambuco, e que foi cantada pelo grande mestre Luiz Gonzaga: a Feira de Caruaru. O Clipe abaixo ajudou a ilustrar a música e despertou outros comentários das crianças. A ideia inicial é essa mesma: instigar.


Depois cantamos uma música de movimento corporal bem conhecida das crianças. Eu gosto de mostrar músicas novas, novos estilos, mas de vez em quando é bom resgatar uma música infantil que elas cantem a plenos pulmões. Esta em especial trabalha o esquema corporal e é divertida.



 
(E a formiguinha subiu no meu nariz)

Fizemos um mini circuito de psicomotricidade que chamamos de "caminho da feira". As crianças tinham que passar dentro do bambolê, e depois pular sobre os tapetes ao som de uma música (Vamos à feira - Hardy Guedes - Pra Cantar na Escola).

 

Em seguida apresentei a eles um coco - instrumento musical de percussão - , falando que era um fruto que se vendia na feira, e que depois de usado ainda podia servir para fazer música. Pedi que escutasse o som do coco e depois cada criança recebeu seu "coquinho" feito de garrafa pet. O passo a passo está abaixo. Batemos os coquinhos marcando o pulso da parlenda cantada em ritmo de baião:

"Macaco foi à feira
não tinha o que comprar:
comprou uma cadeira
pra comadre se sentar.
A comadre se sentou,
a cadeira escorregou,
coitada da comadre
foi parar no corredor."


 A atividade seguinte foi de intensidade. Falamos sobre os bordões que se ouvem nas feiras, com os feirantes gritando preços, promoções, frases engraçadas, tudo para chamar atenção dos frequeses. Separei potinhos plásticos em formato de frutas coloridas (vende-se em lojas de utilidades domésticas), e em alguns coloquei uma tampinha de garrafa PET, e em outras, cinco tampinhas. Mostrei às crianças e disse: "A fruta que custa R$ 1,00 tem 1 tampinha dentro. Vamos ouvir o som dela? (fraco). A que custa R$ 5,00 tem 5 tampinhas dentro, vamos ouvir? (som forte)". Agora perguntei à cada criança se a fruta que eu tinha na mão custava R$1,00 ou R$ 5,00. Obviamente, mesmo as que erraram receberam as frutas para que cantássemos a música seguinte. Na aula de música, respostas "certas" são o que menos importa.



Utilizei uma música do Professor Bahia - "Eu sou o comprador de frutas".

Eu sou o comprador de frutas
Que fruta que você quer? (bis)
Eu quero comprar (___nome da fruta___)

A criança que estivesse com a fruta na mão, colocava esta de volta no saco para guardá-la. As outras continuavam chacoalhando suas frutas no ritmo da música. O final da música diz: "Eu quero fazer salada", e todas as crianças guardam suas frutas.



A seguir, uma atividade de concentração: o andamento na linha montessoriana. Montessori foi a pedagoga que desenvolveu esta atividade, leia mais sobre ela AQUI. Os objetivos musicais são trabalhar a concentração, coordenação e percepção rítmica, já que as crianças tem que andar em cima de uma linha, num andamento pré-determinado (neste caso foi por uma música), equilibrando um objeto, que no nosso caso foi um pratinho com uma fruta ou verdura dentro: era o desfile dos feirantes. Como foi a primeira vez que fizemos esse tipo de atividade, as crianças mais novas tiveram um pouco de dificuldade, e às vezes deixaram cair as frutas ou saíam da linha... mas foi divertido mesmo assim.





Com a música abaixo (mais uma do Professor Bahia - Jogos Cantados), podemos falar sobre os doces populares que são vendidos na feira. Se não puder conseguir alguns (que as crianças adorarão provar), leve fotografias. Aqui em Recife tem o "Nego bom", o "Doce japonês", "cocada", "puxa-puxa", o "Cavaco chinês" e o "pirulito de tabuleiro", por exemplo. Imite os bordões dos vendedores desses doces. No caso do cavaco chinês, é comum que o vendedor use um triângulo para anunciá-lo. Os antigos carrinhos de sorvete tinham buzinas que anunciavam sua passagem. Esses sons, se não forem preservados na memória cultural de nossas crianças acabarão desaparecendo da paisagem sonora de nossas cidades. Aproveite a música também para fazer uma atividade com colagem de palitos de picolé.


O boneco pirulito.mp3

(Cole palitos nos braços e pernas do boneco pirulito)

Pirulito de tabuleiro - receita AQUI


(Vendedor de cavaco chinês tocando triângulo)


Dicas para pais

Ir com as crianças à feira ou ao mercado pode não ser o programa que você mais deseje fazer ao lado do seu filho. Muitas vezes as crianças ficam entediadas e começam a correr, pegar guloseimas e "tirar o juízo" dos pais enquanto esses tentam terminar as compras.
No entanto o mercado ou a feira podem ser atividades cheias de estímulos enriquecedores. A dica é manter as crianças ocupadas. Para isso:
- Leve uma cestinha de brinquedo ou sacola paa a criança e, antecipadamente, faça a sua própria "lista de compras", por exemplo: 1 doce, 1 biscoito, 1 iogurte, 1 fruta, etc. Deixe que ela escolha (se for possível explique quais os critérios para escolher, você vai se surpreender em como elas aprendem rápido) e coloque em sua cestinha.
- Com as maiores é possível explicar sobre preços, cédulas... com as menores é possível treinar a contagem. Peça ajuda dela para colocar as frutas no saco e contá-las. Dependendo do grau de desenvolvimento você pode pedir para contar de dois em dois, três em três, somar, etc.
- Para bebês e crianças pequenas, uma feira pode proporcionar maravilhosas experiências sensoriais. Ajude-a a descobrir a diferença entre doce, azedo, amargo, a sentir as dierentes texturas das frutas (áspero, macio, rugoso, escamoso, fofinho, liso, fino, grosso), os cheiros e, claro, os sons!
- Em feiras populares é muito comum ter uma banquinha com brinquedos artesanais,feitos de madeira ou material reciclado. Que tal fazer esse mimo ao filhote?

Dicas para professores

A ideia dos cocos de garrafa PET eu tirei da revista "Guia Prático apra professores - Música 1". Eu só mudei uma coisa: ao invés de passar ferro nas bordas, fiz o acabamento com fita adesiva colorida, e sinceramente achei muito melhor, porque mesmo com as bordas dobradas para dentro elas ainda ficam um pouco cortantes, e a fita adesiva protege bem. Ah, coloquei uns aplique de EVA por dentro também :)


(Clique para ampliar)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Aula 20 - Infantil II e III - Legato e Staccato

Como foi?

É ensinod e grandes teóricos da Educação Musical que a música não se aprende só pelo ouvir, mas também com a vivência corporal. Neste exercício colocamos uma música tocada parte em legato (usei som de órgão) e parte em staccato (usei som de marimba): Na parte legato, as crianças deveriam mover as mãos em forma de onda, para lá e para cá.. Na parte staccato deveriam bater palmas.

 Legatto
Staccato

A atividade a seguir é um exemplo de uma proposta expressiva: as crianças ouvem uma música referente ao personagem  e a cantam em legatto ou staccato.Utilize cantigas de roda que as crianças conheçam ou simplesmente vocalize com sílabas ou onomatopéias.



Uma outra atividade divertida é usar carimbos de notas. Os carimbos abaixo foram esculpidos em borracha (de apagar), mas você também pode recortar a forma em EVA e colar sobre uma base de plástico. Não esqueça que os carimbos devem ficar espelhados (lado contrário), para as notas saírem par ao lado certo quando forem carimbadas.

(Notas musicais esculpidas na borracha)

(Também podem ser recortadas em EVA)

Para esta aula, peça que as crianças carimbem as notas e depois escutem atentamente: quando ouvirem a música em legato, deverão usar um pincel e tinta para ligar as notas, uma a outra. Quando ouvirem a música em staccato, deverão fazer pontinhos embaixo das notas. Mostre um exemplo em notação tradiconal para que tenham ideia do que você está falando.
Legatto


 
Staccato


Deste blog AQUI vem a ideia de usar bambolês. Quando a música for legato, as crianças rodam o bambolê em volta de si mesmas (no caso das menores, apenas levando de um lado para o outro) enquanto andam suave e calmamente, arrastando os pezinhos no chão como se estivessem esquiando. Quando a música for staccato, as crianças colocam o bambolê no chão e pulam dentro e fora.


No YouTube é possível encontrar muitas peças com exemplos de músicas em legato ou staccato para utilizar nessas atividades.

 Staccato

 
Staccato (com peças tocadas por instrumentos diferentes você pode fazer um jogo de adivinhar com as crianças trabalhando timbre e expressão)




   


Qualquer música do Enya está cantada em legato hahahah. Mas em algumas eles contrapõem o legato da voz com um pzziccato  nas cordas, então, para não ficar confuso para as crianças, escolhi essas que são todas ligadas mesmo. É uma forma de terminar a aula de maneira calma, com um relaxamento legato hehehe

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Aula 19 - Maternal e Infantil I - A loja de brinquedos musicais

Sobre o tema da aula

O tema "brinquedos" nunca cansa. Nesta aula exploramos especificamente os "brinquedos musicais". As crianças devem conhecer alguns deles, sonde, questione, pergunte, descubra o conhecimento que elas já trazem de casa. Depois leve-as a imaginar como seria uma loja de brinquedos musicais, dizer oque tem lá, componha uma "paisagem musical" para essa loja, pedindo que eles façam o sons com a boca mesmo.
Embora muitos professores de música menosprezem o uso de brinquedos musicais em aula - seja por sua fragilidade, seja por sua sonoridade - a verdade é que eles divertem e ensinam os princípios de muitos instrumentos musicais com os quais as crianças terão contato futuramente. Como eu AMO brinquedos, sou suspeita, né? Sou totalmente a favor do uso de brinquedos musicais, desde que devidamente afinadinhos, tá? hhehehehe


Como foi?

Começamos com essa música, e as crianças revezam tocando os instrumentos. A ideia é fazê-las perceber que há um momento e um ritmo para tocar.

"Tamborzinho faz tum tum tum
O chocalho faz chi chi chi
O pandeiro faz pla pla pla
Toco todos eles para me alegrar."
(Minha orquestrinha - Elvira Drummond)


Em seguida, com a ajuda do "Alex", conversamos sobre a cornetinha, que é irmãzinha do trumpete. Uma boa oportunidade de apresentar os instrumentos de sopro, seus princípios, usos, características, etc.


Depois cantamos a música "A cornetinha", de Elvira Drummond, e utilizamos uma cornetinha feita de rolo de papel higiênico (passo a passo abaixo) e trabalhamos mais uma vez o ritmo e o momento de tocar, dessa vez também com o corpo (marchar - falar). Essa percepção está no princípio de toda prática vocal e instrumental.

"Lá vai o soldadinho pra parada desfilar
Mas se a corneta toca, o soldado vai parar
Ta ta ra ra ta ta, ta ta ra ra ta ta"


 Agora a própria Elvira Drummond nos apresentou uma história muito interessante sobre o tambor. Histórias cumulativas como essa fazem muito sucesso com as crianças e trabalham a atenção, timbres e a percepção sonora e rítmica. Se não tiver computador ou vídeo, você pode utilizar cartazes ou fantoches representando cada bichinho. Chame uma criança para lhe ajudar a segurá-los. Se você tiver tempo pode aproveitar para confeccionar tambores de pote plástico com eles.


Agora aproveitamos para trabalhar conceitos que eles ainda estão adquirindo: grande e pequeno, maior e menor. Faça-os perceber as diferenças de timbre num mesmo tipo de instrumento. Elvira Drummond, a autora da música, sugere que na parte do tambor grande bata-se os pés no chão, e na parte do tambor pequeno, bata-se palmas. Eu revezei com os dois tambores e depois fiz os gestos sonoros.


Apresentei outros instrumentos de brinquedo que eles poderiam conhecer com a ajuda do Doki:


Em seguida usamos o cubo de EVA para fazer um jogo de adivinhação... "Qual instrumento estou tocando"? Certifique-se de eles já terem ouvido o som de cada instrumento antes. Depois deixem que eles mesmos enfiem a mão na caixa, descubram qual é o instrumento pelo som e depois o retirem (vai ter sempre alguém querendo dar uam "espiadinha" antes, heheheh). Fizemos isso cantnado uma pequena canção do tipo "Adivinha o que é".


Com os intrumentos retirados da caixa cantamos uma música com uma marcação rítmica definida. Você pode encontrar várias assim. Embora tenha utilizado outra, essa abaixo é uma boa opção também, dizendo "ponho o chocalho pra frente, ponho o chocalho pra o lado", por exemplo. Ao invés de variar o tipo de instrumento, pode-se variar a posição: cima, baixo, frente, trás, direita, esquerda, dentro, fora... perdão pela qualidade do vídeo, mas foi o único que encontrei com essa música e não estou com tempo de fazer um melhor, heheheh


O vídeo a seguir é um complemento para os pequenininhos.




Dica para pais

Brinquedos musicais são altamente estimulante para crianças. Desenvolvem o raciocínio lógico, a percepção sonora, criatividade, linguagem, e tanto mais, dependendo do brinquedo. Tenha apenas o cuidado de comprar brinquedos de qualidade. Um "chinesinho baratinho" pode fazer mais mal que bem. Se não puder consultar um professo rd emúsica antes de comprar, procure sites de qualidade. Abaixo algumas sugestões

Internacionais - Entregam no Brasil, o frete fica entre $30 e $50 dependendo do brinquedo. Pra mim tem valido muito a pena pela qualidade e exclusividade dos brinquedos (sem similar nacional)

Kazoo Toys

Fat Brain Toy

Nacionais - Lojas de instrumentos.

Plander

Jog Music



Dica para professores

Como fazer uma cornetinha simples. A ideia é só modificar a voz para acompanhar o "ta ta ra ta ta" da música do soldadinho. Mas se tem uma coisa que aprendi com as crianças, é que quanto mais simples o brinquedo, mais elas curtem. Pode ser usado tambémcomo lembrancinha no dia do soldado, independência do Brasil, etc.

Você vai precisar de:

1 - Copo descartável de 200 ml (colocando dois fica mais resistente), um rolinho de papel higiênico, fita durex, fita adesiva colorida, estilete, tesoura, papel crepom ou laminado dourado  - que eu não tinha aqui, por isso use crepom, heheh)

2 -  Encaixe o copo na ponta do rolo e prenda com fita durex larga.

 3 - Retire o fundo do copo com estilete.

 4 - Encape o rolinho com o papel crepom ou laminado dourado.


 5 - Prenda com durex no meio e na ponta, ou cole.

6 - Se preferir, encape o copo plástico também, colocando a borda do papel para dentro e pregando com durex. Como eu tinha pouco tempo preferi não encapar.

 7 - Passe fita adesiva colorida na junção do papel. Pronto! Decore a gosto.

Se você prefferir explorar o som de corneta, pode fazer essa aqui:


(Plano de aula adpatado do livro "Descobrindo Sons", de Elvira Drummond, história 09)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Aula 04 - Infantil II e III - Todos os sons do mundo

Como foi?

Nesta aula falamos mais sobre a semínima e sua pausa, sempre em forma de história. Você pode segurar uma folha com o desenho de uma semínima, e pedir para, toda vez que levantar a folha, eles dizerem: "Tá":


"Aprendemos que a voz da Semínima é feita por todos os sons do mundo que podem ser transformados em música. Algumas vezes ela parece apenas com um ruído, outras vezes escolhe uma nota para cantar. Porque a Semínima é assim mesmo: ela não para quieta e passeia pelo mundo todo fazendo sons com tudo que encontra pela frente. Chuta uma bola e TÁ! Bate numa panela e TÁ! Cai de cima de uma árvore e TÁ! Pisa numa tecla do piano e TÁ! Puxa uma corda do violão e TÁ! Batuca no tambor e TÁ! Mas o que ela mais gosta é de brincar no pula-pula só para ficar dizendo, sem parar, TÁ, TÁ, TÁ, TÁ..."





Faça novamente o jogo do som e do silêncio, mas desta vez, use recortes de notas representando a semínima e a pausa de semínima. Monte uma sequência rítmica tendo em mente uma canção infantil conhecida da turma ("parabéns a você" ou "meu lanchinho", por exemplo, só que adaptada só para semínimas e suas pausas). Diga que é um jogo de adivinhação, e à medida que for mostrando as notas e formando a sequência, vá perguntado que música é. Por fim, encaixe a melodia (ainda dizendo só Tá, só que agora cantado), e continue perguntado se adivinham que música é. Mesmo cantando só as notas base, certamente as crianças advinharão. Exemplo de notas base (estão em maiúscula): Pa-ra-BÉNS PRA VO-CÊ/nes-sa DA-TA QUE-RI-da/MUI-tas FE-LI-CI-da-DES/ MUI-tos A-NOS DE vi-DA.
 
 Coloque as crianças sentadas em círculo, peça que fechem os olhos e fique andando por trás delas. Diga que vão cantar a música, e quando ela parar, quem for tocado pela professora nas costas, deve dizer TÁ, e os amigos vão adivinhar quem foi.



Quem é que sabe?

Quem é que sabe?
Vai cantar, vai cantar
Cante uma Semínima
Cante uma Semínima
Diga TÁ! Diga TÁ!
(Melodia de Frère Jacques)

Fale que as vozes e os instrumentos tem TIMBRES diferentes e é por isso que podemos reconhecer cada um. Explique que essa diferença é muito boa, pois torna a música mais bonita. e aproveite para frisar como podem ser boas as diferenças físicas, de gosto, de temperamento, se pudermos trabalhar unidos e aceitar as diferenças do colega. 


Leve a turma, em fila, para fora da sala, dê um passeio com eles pela escola, e peça que cada um escolha um som para ser gravado (com mp3, gravador de voz, hoje em dia até máquina fotográfica ou celular pode fazer isso) . Dê algumas sugestões: sons do parquinho, sons de algum funcionário falando, sons do corpo. O que está no começo da fila escolhe o som, depois vai para trás da fila, e assim por diante. Peça também que quem escolheu o som, diga algo para ser gravado. Depois volte para a sala e repasse os sons e as vozes, pedindo que os alunos os identifiquem.

  

  Fizemos a atividade do livro "Jogando com os Sons e brincando com a Música II", página 41. Antes de contar a história, passei cada som que aparece nela várias vezes até as crianças serem capazes de imitá-lo. Depois pedi que elas sonorizassem a hsitória quando eu falasse a palavra (você pode usar uma figura da fonte sonora como apoio, e mostrá-la quando for a hora deles emititrem o som)





 Terminamos a aula com tambores e sininhos acompanhando a música de Sabah Moraes (CD O mundo é cheio de sons). Quando eu mostrasse a figura da pausa de semínima todos deveriam parar e ficar dizendo "Tá" só na mente. Ao mostrar a figura da semínima deveriam voltar a tocar fazendo "tá" com seu instrumento (na pulsação da música). Se o tempo e aturma permitir, tente dividir os grupos de modo a cada um tocar em um momento da música.




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Aula 03 - Infantil II e III - Os sons das irmãzinhas

Sobre o tema da aula:

As crianças a quem esta aula é dirigida já foram sensibilizadas para a percerpção de som e silêncio, e seu estágio de desenvolvimento já permite nomeá-los através de símbolos. Portanto a aula apresenta a semínima e a sua pausa como significantes daquele movimento sonoro que elas conheciam através da pulsação: sons intercalados por respirações silenciosas, formando um ritmo musical. Como qualquer outro símbolo que a criança utiliza na fase de letramento, este também deve ser fruto de uma necessidade de expressão. A criança que vivencia a música, experimenta, cria, toca, imita, sentirá inevitável curiosidade e desejo pela grafia que é capaz de registrar tudo isso. "Qual é a mágica daquela partitura cheia de figuras indecifráveis? Como essa nova linguagem musical pode traduzir o que eu sinto e penso?"
É verdade que o professor pode utilizar qualquer outro símbolo para estimular a grafia musical rudimentar. É até mesmo recomendável que isso aconteça, que a criança invente seu símbolos ou interprete sinais abstratos conforme seu próprio entendimento. É lúdico e fascinante criar "partituras" com sol, peixe, estrela, rosto, pé, tatu. Uma estrela pode ser um som agudo. Uma constelação pode ser um acorde. Um tatu pode ser um silêncio. Um pé pode ser a batida deste no chão. Mas para chamar um som de semínima e um silêncio de pausa de semínima eu não preciso tirar a ludicidade da aula. As crianças "precisam" ter acesso a esses símbolos agora? Eu prefiro outra pergunta: as crianças QUEREM ter acesso a esses símbolos agora? Entender não precisa ser um ato sem magia. Adquirir conhecimento é algo mágico em qualquer faixa etária. O conhecimento dos símbolos musicais pode e deve ser um ato de alegria. Este foi meu objetivo: criar uma história que leve a criança a desejar entender semínima e pausa de semínima e incorporar essa informação como parte do seu universo.

Como foi?

Como nossa história ia girar em torno de uma casa, comecei fazendo o aquecimento com músicas infantis sobre casas. Perguntei sobre a casa de cada um, e concluímos que as casas tem cores diferentes, formas diferentes, porque nelas vivem pessoas diferentes. É uma boa oportunidade para cada criança marcar a pulsação da música com clavas ou outro instrumento.


Comecei apresentando o desenho de uma casa com o número 4 em cima da porta. Nessa casa, contei, moram duas irmãs gêmeas, a semínima e a pausa de semínima. Elas moram numa vila onde todas as casas tem o número 4, e todas as moradoras das casas sao irmãs. O curioso é que as irmãs são muito unidas e adoram passear juntas, mas são totalmente diferentes uma da outra, a começar por seus corpinhos (apresentar os símbolos). A pausa de semínima gosta de olhar a natureza, ouvir os pássaros, brincar de pega-pega, e faz tudo isso caladinha, caladinha. A voz da pausa de semínima é feita de silêncio. A semínima adora cantar, tocar e fazer barulho: sua voz é formada por todos os sons do mundo, ruídos e sons musicais. Neste momento convidei as crianças a tentarem ouvir a voz das irmãzinhas ao redor de nós, tentanrem ouvir os sons e os silêncios. Depois pedi que me dissessem o que ouviram.



Agora brincamos de imitar as irmãzinhas. Ao mostrar a pausa de semínima as crianças calam, ao mostrar a semínima dizem TÁ (e batem com a clava).



Então testamos algumas sequências usando um quadro magnético e alguns ímãs: as semínimas repesentadas pelas carinhas smile, e as pausas representadas pelos ímãs vermelhos. Fiz algumas sequências para explicar como o jogo funcionava, apontando cada peça e fazendo o gesto correspondente (TÁ ou silêncio), e depois cada criança formou sua própria sequência, que as demais executavam.



Depois de bem entendido, convidei os alunos a passearmos com as amiguinhas novas. Que tal um paseio de trem? Apresentei os três maquinistas no nosso trem:

 Bino, o maquinista do compasso binário
Tereza, a maquinista do compasso ternário (sim, garotas também podem ser maquinistas)

 Quaquá, o maquinista do compasso quaternário

Colocados assim os símbolos musicais não parecemtão assutadores, não é?  Você pode até fazer fantoches, e usá-los para explicar: para saber quantas semínimas e pausas de semínima cabem no vagão, basta olhar para a barriguinha do maquinista. A parte de BAIXO diz que quem vai viajar são as nossas amiguinhas que moram na casa n° 4. A parte de CIMA diz quantas amiguinhas cabem no vagão. Você pode usar recortes de semínimas e pausas de semínima para eles colarem no trem.

Agora vamos passear com nossas amiguinhas pela "Pequena serenata noturna" de Mozart. Dê um instrumento de marcação rítmica às crianças e peça que usem livremente as semínimas ou sua pausa enquanto dançam pela sala.

 

Aula 03 - Maternal e Infantil I - Meus brinquedos preferidos

Sobre o tema da aula:

Entre as correntes pedagógicas mais modernas em Educação Infantil, há muitos pontos discrepantes mas algo aparece sempre em comum: partir do contexto da criança, daquilo que está mais próximo a ela. Os brinquedos cumprem bem essa função. Além de serem objetos que elas já conhecem - e esse conhecimento de mundo que elas trazem para a escola tem que ser valorizado -, os brinquedos também evocam uma afetividade que cataliza a ação de aprender. Está provado que com emoção e sentimento as crianças pequenas aprendem mais rápido e melhor. Há ainda a vantagem dos brinquedos serem objetos concretos, e nessa fase a mente dos pequenos trabalha sempre do concreto para o abstrato, e não o inverso. Cada conteúdo precisa ser manipulado e visualizado em algo concreto, é assim que seus cérebros funcionam. Usando brinquedos sonoros é possível explorar timbres, altura, intensidade, ritmo, e fazer um trabalho de percepção auditiva eficaz e interessante para elas. Em minhas aulas tenho procurado trabalhar de modo que as crianças brinquem e se divirtam de tal modo que esqueçam que estão "tendo aula". Apenas eu não posso esquecer disso. Criança tem que se preocupar só em brincar mesmo! A obrigação dela aprender é sempre responsabilidade dos adultos ao seu redor, não dela, capisce?

Como foi?

Como é bom reencontrar velhas músicas que marcaram nossa infância e que continuam sendo boas demais. Por isso comecei com essa, do musical "Casa de Brinquedos", do Toquinho. Acompanhamos a música do macaquinho de pilha com palmas e outros gestos sonoros criados conjuntamente, professora e alunos.


Depois da música do bom dia individual, comecei apresentando um brinquedo sonoro bem interessante que tenho aqui em casa: um sapinho de pelúcia que "toca" saxofone quando você aperta no pé dele. Os bebês ficaram vidrados e deixei que todos vissem, ouvissem e tocassem um pouquinho. Então falei que muitos brinquedos tem sons interessantes para a gente ouvir, e apresentei a música "meus brinquedos". Cada criança/bebê ganhou um bichinho de pelúcia para fazer carinho e ninar enquanto cantávamos:

"Devagar, toco com os dedos
Sei cuidar dos meus brinquedos
E do meu ursinho, que é tão fofinho
Trato os brinquedos com carinho" (bis)
(Elvira Drummond) 

A história que contei está no livro "Os brinquedos do Leo", de Elvira Drummond (Coleção Descobrindo Sons, livro 2). Nela aparecem os sons do trenzinho, da caixinha de música, do apito, do tambor, do soldadinho de corda, do robô e da buzina do velocípede. Repassamos esses sons para as crianças nomearem, ou, no caso dos bebês, para eu nomear cada som, mostrando também o objeto no livro.

A canção com movimentos locomotores chama-se "Barquinho de papel", e a proposta rítmica  é levar os adultos a embalarem as crianças em movimentos de balanceio. Esse movimento, que a mãe instintivamente faz, é de suma importância para o bebê pois ajuda a desenvolver seu equilíbrio, tão importante para a aquisição da marcha (andar) e futuramente para a escrita. Há pessoas que, por causa de certas reportagens de TV, tem medo de balançar o bebê, coisa de americano dos EUA, onde tocar ou abraçar uma criança não é algo muito incentivado. Mas desde que existe mãe, os bebês são ninados com balanceio. Os americanos do sul, alguns índios, por exemplo, carregam seus bebês envolvidos em faixas no corpo materno, e estes ficam seguros e felizes por continuar sentindo o movimento de balanceio que viviam dentro do útero (a corrente pediátrica que apóia atitudes como essa baseia-se na teoria de que o bebê precisa de uma fase de adaptação extra-uterina bem próxima à mãe nos primeiros meses de vida). O que faz mal é sacudir o bebê, não balançar. Isto esclarecido, eu me inspirei em nossas índias sul-americanas e levei o meu sling para a sala de aula. O sling é um paninho moderno mas como as faixas de tecido das indígenas, que serve para carregar o bebê por muito tempo sem cansar os braços e sem tirá-lo de perto do corpo, colocando-o exilado num carrinho de bebê, por exemplo. Usei muito com meus dois filhos, e é o que me permitia usar o computador e fazer pequenas tarefas domésticas com eles no colo. Então não foi difícil pegar os bebês, um por um no meu sling e balancear ao som da referida música. Você pode usar qualquer música com o tema que remeta ao balanceio (o compasso ternário é bem propício). Pode ser "O barquinho" da bossa nova (Menescal e Bôscoli) ou este abaixo:




A canção com percussão corporal apresentou o palhaço bochechinha, que adora estourar bochechas. Com um desses palhacinhos de cone, que sobem e descem, estouramos muitas bochechas fofas!



Nossa parlenda foi com uma bolinha sonora. Bastou fazer a primeira vez para a turma do Infantil ficar toda de pezinho estirado esperando sua vez!

"Rebola a bola (marcando um pulso)
Rebola com jeitinho
A bola sai bolando (fazer movimentos circulares com a bola)
E embola no seu pé" (bater de leve com a bola no pé da criança)

A apreciação musical ficou por conta da macha dos soldadinhos de Schumann (Do seu "álbum para a juventude"). Para vivenciar a forma A - B -A da música fizemos uma grande roda e giramos na parte A e batemos os pés no chão como soldadinhos na parte B. Com os bebês, cada professora/auxiliar pegou um bebê no colo e marchamos na parte A e giramos lentamente na parte B. Aconselhei que durante toda a música os adultos desse pequenas palmadinhas de levezinho, com os dedos, nas costas dos bebês, para marcar a pulsação. Bebês costumam se sentir confortáveis com esse tipo de contato rítmico.


A canção socializadora chama-se "brincadeira" e promove o contato entre os adultos e as crianças e também das crianças entre si. Podemos mover as mãos e pés dos bebês ritmicamente, e fazê-los bater a palma da mão na nossa enquanto cantamos. Com o Infantil I dá para pedir que batam nas mãos uns dos outros.

"Olhem só pra mim
Eu agora vou brincar
Pois minhas mãozinhas vou juntar e separar:
Junta, separa, junta, separa
vem que eu vou mostrar
Jutna, separa, junta separa
Não vou me enganar" (bater palmas ou pés no final)
(Elvira Dummond)


A canção com instrumento musical chama-se "Meu tamborzinho", mas você pode utilizar qualquer canção em que a percussão tenha destaque, como a música do macaquinho com que iniciamos a aula, por exemplo. Para esta atividade eu levei um conjunto de tambores muito lindinhos que comprei na Kazoo Toys, em que um cabe dentro do outro.É fácil de guardar e eles são afinados formando uma escala musical. São bastante coloridos e o fato de terem alturas diferentes foi perfeito para trabalhar com eles nessa atividade. Mostrei que os sons do tambor grande e do pequeno eram diferentes. E fiz a associação grande/grave, pequeno/agudo. Pedi que tocassem todos e de várias maneiras (dentro e fora, ao lado, dois ao mesmo tempo). Como o material é um tanto delicado, usei baquetas feitas de lápis com ponteira de borracha colada com cola quente. Perfeito!






Encerramos com nosso relaxamento e em seguida, a música da despedida. Neste dia em especial eles me cobriramde beijos! Que delícia!

Dica para pais

Você lembra como se faz um chapéu de soldado com dobradura de jornal? Para você pode ser só uma velha lembrança que ficou da infância. Para seu filho, ver uma folha de jornal virando chapéu, é MÁGICA. Tenha muitos momentos mágicos junto ao seu filho. A música é uma grande aliada para isso. Depois de pronto o chapéu é só colocá-lo na cabeça e seguir o ritmo da marcha!

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Marcha dos soldadinhos de Schumann


Dica para professores

A aula de música costuma movimentar o corpo e excitar os sentidos, deixando a criança eufórica, por isso é preciso diminuir o ritmo antes de terminar a aula (lembrando que normalmente a criança vai continuar tendo aula regular depois, e a professora deles agradece se estiverem calminhos...)
Ao final de cada aula com meus pequenos há o momento de relaxamento. Este momento é muito bem aceito por eles, especialmente quando se torna parte da rotina. É o aviso que a aula está acabando (alguns ficam com carinha triste, ô dó!), mas para acabar bem nós o fazemos com carinho. Numa aula e que a mãe acompanha o bebê, é o momento de dar massaem, ninar, embalar, fazer carícias enquanto a criança descansa num colchonete ou mesmo nos braços da mãe. Numa aula na escola, em que não é possível pegar todos os bebês ao mesmo tempo, ainda assim é possível ao professor se aproximar e dar um beijo, fazer um afago, dar um abraço em cada um.
Uma outra intervenção interessante para esse momento é a presença de um objeto transicional estabelecido pelo professor. Eu criei uma "naninha" para cada criança. É uma almofadinha simpática onde eles podem descansar, abraçar, ninar e como todo objeto transicional, tentar arrancar o olho, pisar, jogar... hehehe temos que estar preparados para essas manifestações também, pois são normais na relação emocional criança-objeto. O importante é que eles possam dar vazão a seus sentimentos e isso os leve, também, a um alívio das tensões. Minha naninha foi confeccionada de forma muuuuito simples: um saquinho de TNT, do tipo que se compra para sacolinahs de aniversário, olhinhos de plástico para boneco, boca e nariz feitos com caneta para tecido. O enchimento foi feito com manta acrílica. Há crianças que me cobram as naninhas, e se por acaso as esqueço (como já aconteceu), tenho que dar explicações...





(plano de aula adpatado do livro "Descobrindo Sons", de Elvira Drummond, vol. 02)