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.......................................Espaço de Educação Musical para pais, alunos, amigos e colegas de profissão da professora Luciana.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Aula 02 - Infantil II e III - Maestros e maquinistas

Sobre o tema da aula:

Um dos grande conflitos teóricos, pelos quais eu, como educadora, também passei foi: que tipo de conteúdo abordar nas aulas e como fazê-lo? A minha formação como educadora musical me ensinou a não ver com bons olhos ensinar teoria musical para crianças pequenas, por exemplo, com seus símbolos e regras de conservatório. Mas à medida que eu trilhei outros caminhos pela psicopedagogia e no mestrado de Psicologia Cognitiva, passei a entender aspectos do desenvolvimento infantil que me fizeram repensar meu posicionamento. Hoje sou a favor que as crianças tenham acesso a símbolos, terminologias e teorias musicais, na medida de sua capacidade cogntiva, mas essa capacidade não pode ser subestimada. Vários estudos e pesquisas tem demonstrado que o cérebro infantil compreende muito mais do que costumamos crer, e não é preciso forcá-lo a isso: crianças até 6 anos tem todas as ferramentas neurais e intelectuais para ir muito além do que lhes é dado ordinariamente. Em Psicologia Cognitiva percebi um grande embate entre Cultura e Linguagem como base da inteligência humana. E na dúvida eu fico com os dois: acho que todo conteúdo a ser selecionado para o processo ensino-aprendizagem deve passar pela Cultura da criança e pela Linguagem da criança. Quando damos oportunidade da criança aprender assim, vem à tona a verdade inegável: crianças AMAM compreender, e o que de melhor nós, educadores, podemos fazer por elas, é ajudá-las continuar amando o ambiente de aprendizado (o que normalmente não acontece, e na pré-adolescência torna-se um problema para muitos). Foram meus filhos que me fizeram perder o medo de ensinar certas coisas que eu julgava ser apenas para "gente grande". A grande diferença está na forma, na metodologia com que apresentamos o conteúdo. A Escola Construtivista prega que todos os conteúdos devem ser contextualizados no universo da criança, passando por sua forma de ver o mundo. E é exatamente isso que decidi fazer: apresentar conteúdos musicais de uma maneira lúdica e objetiva, concreta, sem negar a necessidade de sentí-los e vivê-los. Essas crianças estão em pleno processo de letramento, e o universo musical pode ser inserido no contexto delas de forma natural e criativa, sem que isso seja nenhum problema, pelo contrário: o contato precoce, mas prazeroso, com esse universo será um incentivo para querer descobrir mais e mais, e se fixará como uma base sólida para futuras incursões mais profundas no estudo teórico da Música. Afirmo isso com a certeza de quem aplicou o método Doman com os dois filhos e percebeu que explicar o mundo para as crianças tem o maravilhoso efeito de torná-las apaixonadas por aprender. E esta é minha missão: explicar o mundo da música para os pequeno através do seu prórpio mundo.
Foi assim que cheguei a esta aula, para brincar com os compassos binário, ternário e quaternário.

Como foi?

Costumo iniciar a aula sempre com uma música de acolhimento bem animada, com bastante movimento. Depois introduzo umahistória, através da qual os conteúdos começam a ser apresentados. Nesta aula nós conhecemos três maquinistas de trem: o Bino (compasso binário), a Tereza (compasso ternário) e o Quaquá (compasso quaternário). Desenhei num painél cada personagem em uma locomotiva.

 

Agora com uma locomotiva de brinquedo cada aluno fez o percurso dos maquinistas. Além de compreender o movimento de regêncio da fórmula de compasso, é um ótimo exercício para treinar a lateralidade, tão necessária para a aquisição da escrita nesta idade.

- O trem no BINO vai e vem, para baixo e para cima, ele não gosta de perder tempo.

- O trem da TEREZA gosta de passear um pouquinho mais. Ele segue o caminho para baixo, mas vai até o rio (lado direito) para só então subir a montanha.
 - O trem do QUAQUÁ é o que mais gosta de passear. Primeiro ele desce, depois vai para o parque (esquerda), depois para o rio (direita) e depois sobe a montanha.




Agora era hora de perceber esses caminhos na música. O movimento, que já foi fixado no exercício anterior, agora foi incetivado a ser feito com as mãos no ar, como em movimentos de regência. Em seguida, com a música ainda tocando, as crianças andavam e dançavam pela sala conforme o momvimento sugerido pela música. Durante os movimentos eu fazia a marcação do compasso dizendo UM, DOIS, ou UM, DOIS, TRÊS, ou UM, DOIS, TRÊS, QUATRO. Nem precisei pedir, pois ele naturalmente me acompanharam na marcação, em coro. Utilizei músicas de Johann Strauss Jr.:

- Compasso binário: marcha radetzky
- Compasso ternário: danúbio azul
- Compasso quaternário: pizzicato polca

Não se pode esquecer de mencionar e fazer um breve comentário sobre cada tipo de dança. É preciso atenção apenas com as variações de dinâmica típicas dos compostiores do período romântico: é melhor selecionar um trecho da música onde a pulsação esteja mais uniforme e clara para não confundir a audição deles. Para este caso, em especial, acho mais recomendável usar as músicas em arquivo midi, onde as notas são mais "batidas", sem tantos efeitos de interpretação (as interpretações podem ficar para um momento posterior, de apreciação). Você pode encontrar essas e muitas outras músicas para baixar no site Classical Archives.

Neste ponto eu fiz a comparação entre os maquinsitas de trem e os maestros. Maestros são pessoas que nos ajudam a seguir as regras musicais.
Os maestros dizem por onde os músicos devem entrar, sair, em que momento devem tocar mais forte, mais fraco, mais apaixonado... eles conseguem fazer com que um monte de músicos diferentes, tocando instrumentos diferentes, façam uma música só, que todo mundo entende e acha bonito.

Nãu deu tempo na nossa aula, mas podemos brincar de maestro para ficar essa idéia. É uma brincaderia tradicional e funciona bem com crianças a partir de 5 anos. Todos sentam em círculo, uma criança sai da sala. Elege-se o maestro e todo deverão imitar seu movimentos (gestos sonoros), quando ele mudar, todos mudam também. A criança que saiu, volta e tem três chances de adivinhar quem é o maestro. Se errar, "paga uma prenda" (cantar uma música engraçada, colocar um nariz de palhaço, etc).

Aproveitei também para falar um pouquinho sobre o compositor das músicas que ouvimos durante a aula: Johann Strauss Jr., conhecido como "o rei da valsa". Ele nasceu em Viena, e seu pai também era músico. Na época de Johann não havia CD, mp3 nem aparelho de som eletrônico, então, nas festas, eram os músicos que tinham que tocar para as pessoas dançarem. E ele adorava isso. Então compôs mais de duzentas valsas e mais um montão de danças. As pessoas gostam tanto das músicas dele que certo dia pediram para ele repetir 19 vezes a mesma música!

Complemento: assistir ao desenho animado do Mickey - Band Concert - 1935



Dica para pais:

No Youtube há várias músicas de Johann Strauss Jr., e todas elas são dançantes. Ele adorava compor músicas para as danças de salão tão em moda em seu tempo. Você pode se surpreender com a reação positiva do seu filho a essas músicas. Vamos lá, não se intimide com o tamanho do bigodele dele e experimente brincar com seu filho enquanto as ouve, deixando-o bem livre para dançar do jeito que quiser.

Lista de reprodução com músicas de Johann Strauss Jr. no YouTube

Dica para professores:

Agora que as crianças praticaram o movimento dos compassos binário, ternário e quaternário várias vezes com o corpo, você pode fazer uma atividade pedindo que eles desenhem esse movimento enquanto ouvem uma música com a respectiva fórmula de compasso. Mas não exija perfeição. Peça que lembrem da linha do trem, do movimento da marcha, do braço do maestro... e deixe que desenhem livremente com lápis de cor.

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